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sábado

"Que não voltes mais a recear a luz e o calor do sol", "Mrs. Dalloway", pág 158

[entrada no meu caderno de desenhos/tudo e mais alguma coisa dia 31.07.09, ainda acompanhado pela Carmensita]

segunda-feira

Mãe Frida, rascunho I

Que se te fragmentou, Frida?
Quem te quebrou a coluna com os dedos?
Quem te pisoteou a carne,
Deixando-te assim, adornada
Em faixas, livre de sonhos ou medos?

Que se te fragmentou, Frida?
E que mão malvada te deformou
o rosto, Te rasgou o lábio,
Te rompeu o ventre?
Quem te desfez o corpo que o doutor não cura
Por muito que tente?

Que se te fragmentou, Frida?
As vértebras despedaçadas e escondidas,
Agrupadas em ti em arcadas de ruínas?
O teu útero seco e mutilado
Que nunca carregou o teu menino,
Apenas serve para o pecado?
O fogo de vida nos teus olhos carvão?
Ou o peito onde um dia te bateu o coração?

terça-feira

King of Spain, the tallest man on earth

reinventa-me,
dá-me nome,
outro tom de pele,
outro berço.

reinventa-me

que hoje acordei sem me conhecer, o meu rosto fugiu-me quando me aproximei do espelho, os cabelos cairam-me de cansaço
de ser eu.
a minha pele ficou transparente, os meus olhos opacos, amanheci desenho inacabado.
desenha-se, traça-me delicada de ancas largas, cabelos longos, braços abertos,
tinge-me os lábios e os cabelos com o teu sangue,
renomeia-me, chama-me vida,
sopra-a ao meu ouvido, insufla-me dela.

reinventa-me
faz-me rainha de algo
(coroa-me)
apaga-me e redesenha-me
que já custa ser eu.


[sem intenções de poesia]

(Un)told Prejudices

Foda-se.
Eu.
Foda-se.
Tu.
Foda-se esta cidade
e toda a gente nela.

(E o som do piano chega,
distante)

Foda-se.
Eu.
Nós.
Foda-se esta cidade
e todos os fantasmas dela.

Foda-se, Foda-se...

(E o piano calou-se)


French Teen Idol que não me larga. Foda-se!(este bem podia ser o nome do texto)

domingo

Neotropicalismo




Ainda existe um pouco de Brazil em mim.

Sim, sim, aquele pedacinho quente e feliz,

guardado numa caixinha esquecida algures.


27 de maio, no coliseu. com grizzly bear.

quarta-feira

Fleur de Saison

Queria forrar o quarto com os meus desenhos e a tua poesia, o meu traço e a tua alma, para me sentir em casa quando a ela chegasse, ainda que uma vez de mês a mês. Queria não deixar um só espaço livre deles, fora o quadro da audrey que guardo com carinho, boneca de luxo e musa minha, ou os desenhos que estraguei em telas.
Para a semana pintá-lo-ão, não coles coisas na parede, diz a mãe. E eu obedeço, pensando que o laranja de outros tempos já não me serve, já não adere à minha pele, sedenta de tons mais escuros. Por isso não te expus na parede ao lado da secretária, em frente ao retrato da audrey ou por cima da cama baixa, guardei-te antes numa gaveta da secretária de madeira escura, juntamente com as dezenas de desenhos antigos de seres definhados que arranco do caderno, esperando que definhes com eles, com as dezenas de traços mal delineados com que ocupo horas que deviam ser de estudo ou de convivência com quem me ama mas que são passados comigo mesma, nessa necessidade de me ocupar de mim o tempo todo.
Para a semana o meu quarto estará bordeaux, quase cor de sangue, para combinar com o abandono a que foi deixado, aos livros já lidos que se acumulam na secretária, aos vestidos pretos que são deixados de forma anárquica no cadeirão e à alma minha que sangra sem razão.

sábado

Volta, Vian

É o fim, caro amigo. Fim de nada, que nada houve senão nós, que ainda não acabámos, como comprovo quando dou a mão ao fantasma que és, do qual nunca passaste, espectro que criei numa procura alimentada pelo devaneio de alma que sou.

Ainda assim é o fim, caro amigo, doce amigo, fim da história que nunca ninguém cantará, que ninguém dela sabe senão nós, que não cantamos coisas que não existiram.

O tempo acabou. Lembras-te do início? Não?, então bebamos, criemos a memória do inicio que não houve. [ou bebamos para esquecer que o houve.]

Abres a porta e vais-te, magoado, mudo, deixas-me sozinha com a saudade que não é mais que memória de nada personificada em dor.

E limpo as lágrimas ao meu vestido negro, sempre negro, esperando o teu regresso que não chega, enquanto a memória se desvanece e o teu nome é esquecido.

[Não, não me movo, não te procuro, não te segurarei mais nos braços, é o fim.]

Sibylle Bayer e Sylvia Plath, deusas minhas.

quarta-feira

Bring Me The Horizon

escrevendo O Evangelho segundo a Catequista, prólogo da Virgem [sim, é um aviso], texto da Semi-Puta, a ser lido numa noite de fim de exames e deus Baco.


The Sadness will never end
, com Andrei Machado e os seus Abismos pelo meio.



hallelujah

sábado

Before Sunrise

Perdida entre AB FAB e Satie. [e a inesperada karen dalton a meio do filme]


deus!, e as saudades da Ikunnaprinsessa! [Com Safo, com Safo, que a cada encontro te necessito mais, abelha rainha, musa dos primórdios]


[Ainda não nos desfizemos, como o espelho que caiu e se desfez em mil pedaços. Apenas deambulamos perdidos e afastados neste mundo de sombras.
Abraço há muito adiado ao Banana que em breve me espera, salvemo-nos, salvando-te da perdição]

Ámen

sexta-feira

existem verdades que nem a nós mesmos confessamos e outras que eram tão verdadeiras e acabam parecendo ridículas depois de dita em voz alta




[tentando uma abordagem babichiana do sentido das coisas]

terça-feira

Os meus livros são uma janela do tempo. A cada um, uma fase de vida associada. Ou uma fase de vida associada a muitos, leitora compulsiva que sou um finjo ser, mascarando-me e escondendo-me neles, formando com eles as muralhas do meu pequeno castelo, centro do reino de névoa que sou. [e que pequeno é, deuses!]
Pequeno reino povoado com personagens de sabato ou de hoffman, que se matam, e cometem adultérios e adoram demónios, seres saídos da mente desses deuses de uma religião panteísta por mim inventada, tentativa de colmatar a falta da outra.



[Lovage, Sex( I'm A)]

domingo

Since we've been wrong

toda tu és névoa, abelha rainha, com a tua saia rodopiante que reflecte os raios solares, com o teu cheiro de nada e de orvalho e teu cabelo dourado com sabor a infância.

Devendra Banhart, I Do Dig a Certain Girl


Hoje estavas mais leve -apaixonada? -, a verdade é que já não o sei, por vezes julgo mal te conhecer e, no entanto, ninguém me conhece tão bem como tu, musa dos primórdios.
És a ponta do novelo que me liga a um passado tão próximo e tão distante a todos, minha ponte entre o que conheço e aquilo que esqueci.
Mas voltemos à tarde e ao sol, que nos aquece e nos sufoca, o mesmo sol que nos aqueceu, meninas - será que não o somos?, sem sonhos ou princípes - como a liberdade nos era sagrada! -, diferentes das outras, as de fora do nosso pequeno universo. E estranho-me dizendo isto, pois sempre te associei a dias chuvosos, que combinavam com a nossa roupa escura [ como a tua clareou!] e com o vazio e uma vontade de nele permanecer[no vazio].

Mas estás bela e clara e apaixonada e já não queres morrer aos vinte e sete. [oh, como o sol se reflecte em ti!] E sorrio contigo, enquanto a chuva me encharca as roupas escuras, rodeada por nada.

sexta-feira

Destino: Hospital de S. João


Foto datada de março deste ano.

02h02 marca o relógio digital. Alguém pensa em mim, diria a Babixe e o Cabral responder-lhe-ia: "Claro, Bárbara, como não?", com aquela ironia que se usa com uma criança, enquanto a Xana tiraria fotos a nós e a tudo e eu riria de boca fechada. Debaixo do olhar maternal da Cristina.

Escrito na nostalgia provocada por um ano que se finda.

domingo

junho em nuvens

caminho com o passo aluado e a mão na posição de tia, segurando a carteira[ e os saltos fazem "tloc-tloc" no chão de pedra.]. na cabeça quem eu não sei, um filme, um poema ou eu mesma.

[maldito "tloc-tloc" que me acompanha]

paro sem razão, irritada, e olho o céu cinzento, que me lembra a cinzenta pessoa que eras: quero-te de volta, sem os saltos, ou o lápis em falta, ou a carteira.



não há saudades mais profundas do que as de nós mesmos.

quinta-feira

Idiotas e Anjos

uma demasia no excesso de tudo...

369

sete e vinte e quatro marca o relógio digital. Casa, banho, mente esvaziada enquanto o corpo é limpo. deus, deus, deus, que estranho invocar-te agora, deus que se existisses serias a Ilyena, dos Mars Volta, que me inunda os sentidos e me deixa a flutuar. oh, sim, como jesus sobre as águas. e sinto-me religiosa,sinal da acumulação de horas de sono por dormir... sono que não vens e que tanta falta tua tenho! sono, sono, sono, sono e sonhos, daqueles de menina, com princesas e dragões e o principe encantado no fim do arco-íris... puffffffffffffffffffffffffff
shiuuuuuuuuuuuuuu. cala-se a voz na minha mente e a Vicarious Atonement. ergue-se alto o som das gaivotas, coitadas que em três meses nunca as ouvi, como os sentidos se vão despertando em mim, deuses!, gaivotas infelizes, tão longe do mar e tão perto da autoestrada, gaivotas, mais cantadas do que eu alguma vez serei, pobre ser [e lá fora os carros não param, vrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, velozes, na sua velocidade de bestas metálicas e reluzentes do novo mundo].
e já toda a euforia se esvai, galopa a melancolia na minha direcção.. não, não, não, vai-te que hoje sou amada e frágil e feliz...
e para quê a melancolia e a tristeza se a vida me deixa a cada segundo, mesmo que eu, em vão, a tente apanhar, a todos os fotões de juventude que o meu corpo emite. oh, pobre corpo, com tantos fotões ainda por emitir e que me parecem tão poucos. não, não, vai-te, vai-te, e a euforia debate-se e esbofeteia-a, e já uma briga de mulheres por um amante parece, e eu, marido/namorado infiel que sou, a isto assisto sem nada fazer senão quase desesperar. e, como sempre acontece, enquanto as minhas concubinas se debatem, eis a serenidade que chega, cheirando a jasmim e a flor de laranjeira, vestida do seu odor... E me arrebata.


[Tantos "E"s, triste sina. E esqueci-me das maiusculas.]

domingo

À Virgem e à Puta, com carinho da Semi

Saudade....

depois de dois dias inteiros a ouvir músicas dos clássicos de animação, concluo que nada existe em mim além de saudade, saudade de casa e da faculdade, de amigos que não vejo ou que vejo em demasia, de ti, Apolo, embora não saiba com certeza a que rosto devo atribuir-te as linhas clássicas, de uma série de momentos que já nem tenho a certeza se existiram ou se apenas foram criação minha, de tempos de inocência que tenho a sensação de ainda não ter perdido em quase duas décadas de vida...

E é nesta linha que concluo que cada vez me pareço mais com Pessoa, o qual insultava em exagero nos tempos chuvosos de secundário...
Ainda assim, preferia ser Plath, e ter um Ted para cantar Wet Dreams da Soko, gritando com ênfase o verso mais enfático, e ter discussões literárias sobre os meus bloqueios, e escrever poesia negra e obscura, e matar-me aos trinta e dois, com dois bebés rosados, em vez de morrer virgem aos cinquenta, com um punhado de cartas de amor ridículas e um fígado em mau estado (que calculo que o meu também esteja)...

Não, não, não, esquece, esquece, esquece!! - Seguindo a resolução da Puta, por muito tarde que venha, inventada numa noite que deveria ser de estudo mas foi de maquilhagem e de filosofias de vida e de confidências porcas e de amizades a fluorescer (que todos os Deuses nos salvem do chumbo!).

Como diria a Meg no Hércules, I won't say I'm in love.

segunda-feira

Já sobre a fronte vã se me acinzenta
O cabelo do jovem que perdi.
Meus olhos brilham menos.
Já não tem jus a beijos minha boca.
Se me ainda amas, por amor não ames:
Traíras-me comigo.

Ricardo Reis


Já te devia saber phénix. Vou-te varrer, então, do chão da casa de pedra que sou, ou simplesmente dos azulejos da cozinha, e deixar que a chuva e o vento de ti tratem.

Estou farta de aves míticas, quero um canário!

domingo

Escreve-me, Fernando

"Terrível bebé: gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha também. E é bombom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo e o Bebé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é sempre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguém gosta de mim, e também porque é que havia de gostar, e, isso mesmo, tudo torna ao princípio, e parece-me que ainda lhe telefono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na boca, com exactidão e gulodice e comer-lhe na boca os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu ombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e porque é que a Ofelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um individuo com ventas de contador de gás e expressão geral de não estar ali mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bebé fosse uma boneca minha, e eu fazia como uma criança, despia-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossível ser escrito por um ser humano, mas é escrito por mim"

Fernando Pessoa

Ninguém escreve melhores cartas de amor que um louco [que não um louco de amores].
Mas eu sou louca e não as sei escrever...
Escreve-me, então, Fernando, que não há nada mais entediante do que homens bonitos e mentalmente saudáveis...

quarta-feira

Quatro Anos De Lamechice [purinha, livre de iões]

Suponho que a única coisa boa de fazer dezanove é saber que te vou voltar a ver, que te vou visualizar o novo piercing que ainda não vi, que me vais abraçar e o tempo chuvoso e frio parecerá quente e aconchegante...
Afinal, se sempre te elevei acima de tudo e todos foi por ter tido a certeza de que, mesmo estando longe, sobreviverias a todos...
No fundo, dizer que és a minha melhor amiga é pouco, és um dia de sol e felicidade com "fall from the stars" dos god is an astronaut e "a fera na selva" de henry james, melhor livro que já li, alma que me completa, musa a quem dedico metade dos meus contos...

Que outros aniversários nos esperem :)